Há algo no seu silêncio que fala mais alto do que qualquer discurso.
É a quietude de quem já percebeu que a verdadeira autoridade nasce de dentro,
do encontro íntimo com a própria consciência.
O sábio carrega no olhar a serenidade
de quem pensa antes de agir e no sorriso a segurança de quem já se conhece.
Não é uma segurança arrogante, é um assentamento suave:
ele habita o próprio corpo, a própria história, as próprias escolhas.
Sabe que cada gesto é uma extensão do que cultiva por dentro.
Observador, estratégico e sensível na medida certa,
ele compreende que equilíbrio também é força.
Não aquele equilíbrio rígido, que teme o erro,
mas o equilíbrio vivo de quem aceita oscilar
e, ainda assim, retorna ao centro.
O sábio não reage por impulso,
porque já aprendeu a diferença entre reação e resposta.
Reagir é deixar que o mundo dite o ritmo.
Responder é respirar, sentir, integrar,
e só então escolher o próximo passo.
Por isso, ele não entra em disputas vazias.
Não precisa provar nada a ninguém,
porque já atravessou a batalha mais difícil:
a de se olhar com honestidade.
Analisa, pesa, decide.
Quando age, é preciso.
Sua ação não é barulho, é direção.
Na jornada da consciência, o sábio nos lembra
que autoconhecimento não é um luxo espiritual,
é fundamento.
É o chão onde pisamos quando tudo à volta oscila.
É o farol que nos guia quando o ego grita,
quando o medo tenta comandar.
O sucesso do sábio não está no excesso,
nem na necessidade de ser visto, aplaudido ou validado.
Seu encanto mora na elegância de ser exatamente quem é
sem máscaras, sem exageros, sem personagens.
Ele alerta-nos, silenciosamente,
a uma pergunta simples e inquietante:
“Quem sou eu quando ninguém está olhando?”
Talvez o caminho espiritual seja isso:
ir, pouco a pouco, afinando a presença,
até que a nossa própria vida se torne resposta.

Ruth Collaço, a autora do texto