01 Feb
01Feb

Há algo no seu silêncio que fala mais alto do que qualquer discurso. 

É a quietude de quem já percebeu que a verdadeira autoridade nasce de dentro, 

do encontro íntimo com a própria consciência. 


O sábio carrega no olhar a serenidade 

de quem pensa antes de agir e no sorriso a segurança de quem já se conhece. 

Não é uma segurança arrogante, é um assentamento suave: 

ele habita o próprio corpo, a própria história, as próprias escolhas. 

Sabe que cada gesto é uma extensão do que cultiva por dentro. 


Observador, estratégico e sensível na medida certa, 

ele compreende que equilíbrio também é força. 

Não aquele equilíbrio rígido, que teme o erro, 

mas o equilíbrio vivo de quem aceita oscilar 

e, ainda assim, retorna ao centro. 


O sábio não reage por impulso, 

porque já aprendeu a diferença entre reação e resposta. 

Reagir é deixar que o mundo dite o ritmo. 

Responder é respirar, sentir, integrar, 

e só então escolher o próximo passo. 


Por isso, ele não entra em disputas vazias. 

Não precisa provar nada a ninguém, 

porque já atravessou a batalha mais difícil: 

a de se olhar com honestidade. 

Analisa, pesa, decide. 

Quando age, é preciso. 

Sua ação não é barulho, é direção. 


Na jornada da consciência, o sábio nos lembra 

que autoconhecimento não é um luxo espiritual, 

é fundamento. 

É o chão onde pisamos quando tudo à volta oscila. 

É o farol que nos guia quando o ego grita, 

quando o medo tenta comandar. 


O sucesso do sábio não está no excesso, 

nem na necessidade de ser visto, aplaudido ou validado. 

Seu encanto mora na elegância de ser exatamente quem é

sem máscaras, sem exageros, sem personagens. 


Ele alerta-nos, silenciosamente, 

a uma pergunta simples e inquietante: 

“Quem sou eu quando ninguém está olhando?” 


Talvez o caminho espiritual seja isso: 

ir, pouco a pouco, afinando a presença, 

até que a nossa própria vida se torne resposta.

Ruth Collaço, a autora do texto

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