Lavar a mágoa até que reste apenas o ouro do silêncio.
Quando a verdade chega como lâmina, corta fundo.
Descobrir algo que nos fere sobre quem amamos é como ver o espelho rachar:
A imagem permanece, mas já não é inteira.
O primeiro impulso é sempre agarrar os cacos, correndo o risco de cortarmos as mãos
Mas... há outro caminho.
Respira
- Permiti que a dor seja como água que corre, não pedra que pesa. Reconhece que o amor não se desfaz com a revelação, mas transforma-se.
— Às vezes em cinza, às vezes em semente e o coração, ferido, pode ser também terreno fértil.
Aprende(-se) que nada nos pertence:
Nem o outro, nem a sua verdade.
O que nos pertence é a forma como escolhemos atravessar a ponte de nome "ferida".
Podemos deixá-la infecionar em rancor, ou lavá-la em SILÊNCIO, COMPAIXÃO, DESAPEGO E AUTOCUIDADO.
Lavar uma mágoa é aceitar que a dor também é mestra.
É mergulhar no rio interior até que a água leve o peso, deixando
apenas a clareza.
Lavar a mágoa é garimpar no rio da alma:
"Entre pedras e feridas, o que sobra é o ouro secreto da purificação.”

Ruth Collaço, a autora do texto