“Nada pesa mais do que a necessidade de impressionar; nada liberta mais do que deixá-la cair.” (Ventos Sábios)
Apercebo-me, cada vez mais, do quão libertador é não ter de impressionar ninguém. Esta constatação abre espaço dentro de mim: liberta, descomprime e eleva a minha energia para as pessoas e assuntos que realmente têm interesse e valor na minha vida. Quando a energia regressa ao seu lugar natural, o resultado só pode valer a pena.
“Só mergulha com o outro quem primeiro aprendeu a respirar dentro de si.” (Ventos Sábios)

É precisamente neste ponto do instante — quando deixo cair o peso do olhar alheio — que reconheço a importância de usar a minha capacidade de mergulhar em mim. Só assim posso mergulhar com o outro nas questões que ainda habitam o ser humano, nas perguntas que persistem, nos lugares onde a vulnerabilidade e a lucidez se encontram.
“Quando a energia regressa ao seu centro, a vida volta a ter sentido.” (Ventos Sábios)
É um ato exigente, sobretudo para quem, durante tanto tempo, fez questão de se sentir necessário. Mas é também um ato de verdade: escolher estar com o outro não por necessidade de validação, mas por disponibilidade interior. Uma presença que nasce do centro e não da carência.
“A verdadeira liberdade começa quando deixo de existir para agradar e passo a existir para ser.” (Ventos Sábios)
Talvez seja isto a maturidade: a coragem de existir sem espetáculo, a humildade de acompanhar sem se impor, e a liberdade de ser sem pedir licença.

Ruth Collaço, a autora do texto