08 Feb
08Feb

Eu... que respiro por dentro 

Caminho entre luz e sombra 

como quem atravessa um campo ardente. 

Sinto a delicadeza do vibrar na pele, 

um fio fino que estremece 

sempre que a vida me oferece escolhas que pesam. 

Se o mundo vê graça, equilíbrio, um brilho 

Dormente em mim há um silêncio atento, 

Um faro que reconhece a mínima rutura no ar, 

A tensão antes da palavra, 

O rumor que antecede a tempestade. 

Não te iludas, não sou frágil. 

Sou corpo que aprendeu a dançar no trovão 

No chão respira e na emoção que pulsa. 

Equilibro o que penso e o que sinto 

como quem segura as águas nas mãos 

com cuidado, com instinto, com verdade. 

A minha calma tem textura. 

Por vezes é vento morno, 

Por vezes é pedra quente, 

Outras ainda apenas maturidade 

A lucidez que sabe exatamente 

onde pousa o pé… 

E se o chão for navalha 

Eu piso 

Por escolha...e sabendo porquê. 

(…)

Porque há quem caminhe pelo mundo com a pele aberta ao invisível, percebendo no ar aquilo que ainda não tomou forma. Há quem leia o silêncio como quem lê constelações, encontrando nos intervalos da matéria a vibração que anuncia mudança. 

Não é fragilidade — é uma afinação fina com o que existe para lá do óbvio, uma escuta que toca o campo subtil onde tudo começa antes de acontecer. 

Há quem saiba que a coragem não é ausência de medo, mas a escolha consciente de avançar mesmo quando o chão parece apenas uma hipótese.  

Em cada gesto, cada passo que se oferece ao desconhecido, revela-se a maturidade de quem já dançou com o trovão e aprendeu que a realidade também se molda por dentro. 

Porque há quem respire assim: 

- Entre o visível e o quântico 

- Entre o corpo e o campo 

- Entre o que dói e o que desperta.  

E cada passo é uma declaração silenciosa de presença — lúcida, inteira, irreverentemente verdadeira.

Ruth Collaço, a autora do texto

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