O Reiki, como prática de profunda espiritualidade, nos apresenta uma nova forma de ver a vida e a nós mesmos. O reikiano aprende e compreende, sob um novo prisma, a sua própria existência. Entende que tudo é energia, o que pensa, sente, fala e realiza no plano da concretude. Basta pensar que as energias vibram e se unem ao que se assemelha, porque o dito comum "os opostos se atraem" é uma afirmação falsa, comprovada pela ciência da Física, inclusive. Na ótica da espiritualidade, somente atraímos o que é semelhante.
O Reiki é uma poderosa ferramenta milenar, praticada pela cultura japonesa e chinesa (segundo a tradição) há milhares de anos, como forma alternativa de cura, e pode ser considerada uma dádiva concedida à alma (encarnação do Espírito) na sua jornada encarnatória, para amenizar as energias densas com as quais nos relacionamos. Uma assepsia espiritual que nos ajuda a caminhar, diminuindo o peso da bagagem.
Sabemos que, enquanto almas encarnadas, temos uma trajetória a ser realizada para aprendizado e evolução do nosso Espírito. Relembremos o Livro dos Espíritos (1857), questão 115: "Os espíritos são criados simples e ignorantes, e evoluem através de reencarnações e experiências". Então, a encarnação é do Espírito, que se amplia à medida que evolui, conforme as experiências de cada alma encarnada que integra seu agregado e que, após o desencarne, continua a integrar esse agregado do Espírito.
Nós não somos os Espíritos; somos as almas que fazem parte de um agregado e estamos contribuindo para a evolução do Espírito. Essa capacidade do Espírito de evoluir e progredir se dá por meio da criação de almas, egos individualizados. Cada alma é uma individualidade na diversidade. Nós integramos um agregado de almas imortais.
Ao encarnarmos, recebemos as influências desse agregado, o que significa dizer que compartilhamos, em nosso inconsciente profundo, os conhecimentos e as experiências desse agregado, que são decisivos para estruturar a encarnação atual ou vindoura.
Imaginemos uma imensa árvore com muitos galhos. Agora, observe que a raiz e o tronco são o Espírito, e os galhos, as almas, ou seja, consciências ou personalidades, que encarnaram em momentos distintos, agora estão integrando o agregado de almas do seu Espírito.
E você? Você é a alma encarnada, no momento. Relembremos que a alma é imortal – Livro dos Espíritos, questão 134-149: "A alma é o espírito encarnado. É a parte imaterial e eterna do ser humano."
Como já compreendemos que as almas, consciências ou personalidades não morrem, apenas perdem o corpo físico, percebemos a responsabilidade que temos com as consciências do nosso agregado, vidas que antecederam a nossa atual, que continuam vivas, em ressonância entre si e conosco.
Então, nessa perspectiva, o reikiano compreende sua responsabilidade, porque entende que está na categoria de alma encarnada, ou seja, com corpo de carne, conectado às consciências (que não morrem) que fazem parte do agregado do Espírito ao qual pertence.
Um dia, seremos também uma consciência livre das limitações da carne, continuaremos com nossos pensamentos, sentimentos e emoções. O importante é respeitar o livre-arbítrio da alma que está encarnada e ajudá-la, positivamente, na jornada encarnatória, porque a ressonância é via de mão dupla. "Vento que venta cá, venta lá". A afetação é mútua.
Ao se conectar com a energia vital, o reikiano, alma encarnada, também irradia para o seu agregado e poderá fazê-lo com mais consciência, direcionando os símbolos para as consciências ou personalidades que pertencem ao seu agregado, particularmente àquelas que mais precisam, porquanto vinculadas a algum sofrimento que experimentaram e não conseguiram transmutar.
Por isso, aprendemos que precisamos praticar os cinco princípios do Reiki, ministrar o autoreiki todos os dias, aprender a identificar pensamentos intrusos que podem ser das consciências ou da personalidade do agregado, que traz ínsita uma diversidade, ou de uma consciência que integra o agregado de nossos familiares.
O Reiki é uma ferramenta poderosa que nos conecta com a dimensão divina, mas, para isso, é preciso mudar. Por isso, nosso cérebro possui o dom da plasticidade. É preciso praticar o que se lê, revisitar falsos consensos, respeitar a diversidade, combater todas as formas de preconceito e discriminação e, sabe por quê? Porque somos muitos.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentil. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
PETTER, Frank A. Manual de Reiki do Dr. Mikao Usui. SP: Pensamento, 2020.
TUTU, Desmond; TUTU, Mpho. O livro do perdão. Para curarmos a nós mesmos e o nosso mundo. Rio de Janeiro: Valentina, 2014.

Clara Brum, a autora deste artigo.